Hospital de Clínicas de São Bernardo realiza simulado de Múltiplas Vítimas

Hospital de Clínicas de São Bernardo realiza simulado de Múltiplas Vítimas

No Hospital de Clínicas de São Bernardo do Campo, exercício de domingo (27) simulou acidente com ônibus, usou quatro ambulâncias e testou a integração entre equipes em emergência de grande proporção

 

Exercício, denominado institucionalmente de Código Marrom, reproduziu acidente com ônibus, contou com quatro ambulâncias e testou integração entre equipes diante de uma situação de emergência de grande proporção
 

Por meio da Prefeitura de São Bernardo, o Hospital de Clínicas (HC) realizou, neste domingo (27), um simulado prático de atendimento a um Incidente com Múltiplas Vítimas (IMV), denominado institucionalmente de Código Marrom. A classificação é utilizada em situações de emergência com múltiplas vítimas e permite o acionamento organizado do Plano de Atendimento à Emergência (PAE), com definição de fluxos, responsabilidades e recursos. A atividade mobilizou aproximadamente 28 setores da instituição e teve como objetivo avaliar a capacidade do hospital de responder de forma rápida, organizada e segura a uma situação de emergência de grande proporção.

O exercício reproduziu um acidente envolvendo um ônibus que começou a apresentar fumaça e deixou 30 pessoas feridas. Algumas apresentavam lesões graves e precisavam de atendimento imediato, enquanto outras aguardavam avaliação. Quatro ambulâncias foram mobilizadas para o socorro, equipes de resgate atuaram na retirada das vítimas e, dentro do hospital, profissionais se organizaram para receber simultaneamente pacientes com diferentes níveis de gravidade. A simulação teve duração aproximada de 1h20.

CARACTERIZAÇÃO – Para tornar o exercício mais próximo de uma ocorrência real, os 30 participantes que interpretaram as vítimas foram caracterizados com ferimentos e diferentes condições clínicas. Entre os casos simulados estavam pacientes graves, intermediários e de menor gravidade, permitindo que as equipes colocassem em prática a triagem e a priorização dos atendimentos.

Dos 30 pacientes representados, nove foram classificados como vítimas graves, 15 como amarelas e seis como verdes. O cenário começou ainda na área externa do hospital, onde os Bombeiros Civis realizaram a retirada das vítimas do ônibus e as encaminharam para uma área segura.

As quatro ambulâncias mobilizadas participaram do atendimento e transporte dos pacientes, enquanto o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) realizou a triagem pré-hospitalar e a regulação dos casos conforme a gravidade e a necessidade de cada vítima.

A técnica de enfermagem Rosângela Clementino Pessoa participou do exercício como uma das vítimas caracterizadas e acompanhou de perto a atuação das equipes. “Foi muito bom participar. O que mais me chamou a atenção foi a agilidade de toda a equipe durante o atendimento”, relatou.

Para Rosângela, a experiência também mostrou, na prática, a importância de estar preparado para situações de urgência e emergência. “É importante a gente estar preparado para um tipo de emergência e urgência, para poder agilizar os atendimentos. Prepara bastante a equipe”, completou.

SERVIÇOS INTEGRADOS – O exercício contou com a participação do SAMU e envolveu diferentes unidades da rede municipal, entre elas o Hospital de Urgência (HU), Hospital da Mulher (HM) e Hospital de Câncer Padre Anchieta.

O supervisor da equipe de Bombeiros do Complexo de Saúde, Leonardo Cesar Rodrigues, explicou que os profissionais atuaram diretamente na retirada das vítimas da área do acidente. “Essa simulação é um treinamento para que os bombeiros possam colocar em prática as técnicas de retirada de vítimas. Para quem atua na linha de frente operacional e no resgate, o treinamento e o aperfeiçoamento precisam ser constantes”, destacou.

De acordo com o coordenador de Transporte Sanitário e Regulação do município, Almerindo Cardoso de Barros, a comunicação entre o atendimento pré-hospitalar e as unidades de destino é essencial para organizar o encaminhamento dos pacientes.

“Esse tipo de treinamento é realizado o mais próximo possível da realidade. A interatividade entre o hospital, que está preparado para receber as vítimas graves, e o SAMU, que realiza o atendimento e o encaminhamento, é fundamental para que as vítimas tenham o menor impacto possível em suas lesões”, afirmou.

Durante o exercício, quatro vítimas foram reguladas e encaminhadas ao Hospital de Câncer Padre Anchieta e uma paciente gestante foi direcionada ao Hospital da Mulher.

DIFERENTES DEMANDAS – Além de testar a assistência às vítimas, o simulado avaliou a capacidade do HC de reorganizar sua estrutura sem comprometer o atendimento aos pacientes que já estavam na instituição.

Foram mobilizadas áreas assistenciais, administrativas e operacionais, incluindo equipes médicas e de enfermagem, segurança, controle de acesso, recepção e setores de apoio. O desafio foi manter a continuidade da assistência enquanto uma demanda extraordinária era absorvida pelo hospital.

“O principal desafio foi justamente conciliar o simulado com a continuidade da assistência. Toda a estrutura foi planejada para que pudéssemos realizar o exercício sem interferir na segurança e no atendimento dos pacientes que já estavam no hospital. Isso exigiu bastante organização, comunicação e integração entre as equipes”, explicou a coordenadora administrativa Kelly Uchoa Costa.

O simulado contou com aproximadamente 14 avaliadores, responsáveis por acompanhar a execução dos protocolos e identificar pontos de atenção que serão posteriormente consolidados em um plano de ação. Eles vão compilar os resultados e, posteriormente, será elaborado um laudo com as melhorias identificadas.

Para o diretor técnico do HC, Dr. Enzo Pacelli Santos Fonseca, o exercício permite preparar a instituição para a complexidade de uma ocorrência com múltiplas vítimas. “Esses cenários envolvem uma complexidade muito grande em termos de atendimento clínico, cirúrgico e também de acolhimento dos familiares. Neste momento, engajamos toda a nossa equipe multidisciplinar e mobilizamos os setores para estarmos prontos caso um cenário como esse ocorra”, afirmou.

Segundo Dr. Enzo, um dos principais aprendizados está relacionado à reorganização do fluxo diante de uma demanda fora da rotina. “O grande aprendizado é saber lidar com esse fluxo, que é muito diferente em um cenário de múltiplas vítimas”, completou.