Em Itaquaquecetuba, no Alto Tietê, roteiro reúne patrimônio histórico, igreja de quatro séculos, áreas verdes ligadas ao rio Tietê, gastronomia e cultura para moradores e visitantes no Dia Mundial do Turismo
Patrimônio histórico, áreas verdes, gastronomia, cultura e experiências locais formam um roteiro que convida moradores e visitantes a olhar a cidade por novos caminhos
Há cidades que podem ser conhecidas por um cartão-postal. Itaquaquecetuba é daquelas que precisam ser percorridas para serem descobertas. Entre uma igreja com quatro séculos de história, áreas verdes que preservam parte da relação do município com o rio Tietê, centros de compras, espaços de lazer, manifestações culturais e gastronomia, Itaquá reúne experiências que ajudam a contar a história e revelar a identidade de quem vive nela.
Neste domingo (27), quando é celebrado o Dia Mundial do Turismo, o município ganha uma oportunidade de olhar para seus próprios caminhos e reconhecer que turismo não significa apenas viajar para longe. Também pode significar redescobrir o lugar onde se vive. E Itaquá já começa a organizar essa descoberta. A Secretaria de Turismo mantém um roteiro histórico de locais, além de trabalhar com áreas de preservação e uma agenda de eventos e festivais.
No coração da cidade, a Igreja Nossa Senhora D’Ajuda é o ponto onde passado e presente se encontram. Tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), o templo está ligado à formação histórica da cidade e carrega quatro séculos de trajetória. Neste ano, a cidade voltou a colocar o lugar em evidência durante a Jornada do Patrimônio, que incluiu visita guiada ao espaço.
A igreja está localizada na praça Padre João Álvares, outro espaço tradicional do Centro e que ajuda a formar um conjunto urbano de grande importância para a memória municipal. A igreja representa uma oportunidade de compreender como a cidade se formou e como gerações ajudaram a preservar seus símbolos. Em 2024, a paróquia completou 400 anos, marco que foi celebrado com ações culturais e de valorização da memória local.
Ainda na região central, a Feira de Artesanato acrescenta outra dimensão ao roteiro, aproximando o visitante da produção artesanal e das expressões criativas de quem vive na cidade. Além de reunir peças e trabalhos produzidos por artesãos, a feira contribui para valorizar talentos locais e transformar a produção cultural em uma experiência de convivência, identidade e geração de renda.
A história de Itaquá também pode ser percebida em referências menos convencionais. Um exemplo é a linha do Trópico de Capricórnio, localizada na rodovia Ayrton Senna, um marco geográfico que atravessa o território municipal e acrescenta ao roteiro turístico uma curiosidade sobre a posição da cidade no mapa. É um daqueles pontos que despertam o interesse justamente por conectar o cotidiano local a uma referência de dimensão mundial.
Se o Centro guarda páginas importantes da história, é nas áreas verdes que outra característica de Itaquá aparece: sua relação com o Tietê e com a paisagem das várzeas. O município integra a Região Turística Nascentes do Tietê, reconhecida pelo Ministério do Turismo e pela Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo. A região reúne municípios ligados ao percurso e às nascentes do principal rio paulista, criando uma identidade turística baseada em natureza, água, patrimônio e experiências ao ar livre.
Em Itaquá, essa relação pode ser percebida no Parque Ecológico Mário do Canto, um dos principais espaços de lazer da cidade. O local reúne pista de caminhada e ciclismo, playground, pista de skate, academias ao ar livre, áreas para piquenique, viveiro de mudas nativas e o projeto Jardins Comestíveis.
O parque também está inserido na área da APA Várzea do Rio Tietê, o que amplia seu papel para além do lazer. Visitas guiadas realizadas pelo município utilizam o espaço como ferramenta de educação ambiental e aproximam a população da biodiversidade e da importância da preservação das áreas naturais. Neste ano, o equipamento passou por novas intervenções, incluindo a revitalização de quiosques e banheiros, modernização de quadras esportivas e implantação de uma pista de pump track, ampliando as possibilidades de uso do espaço.
O potencial turístico de Itaquá, porém, não está restrito ao Centro ou aos parques. A legislação municipal reconhece áreas com vocação para agricultura, lazer e turismo e prevê, em determinadas regiões, atividades relacionadas ao turismo ecológico e rural, sempre associadas à preservação ambiental e às características do território. Essa diversidade também aparece na gastronomia. Restaurantes, feiras, produtores e estabelecimentos que preservam tradições locais ajudam a transformar sabores e histórias em experiências.
Um exemplo é o Museu da Cachaça, associado à gastronomia e à memória de um empreendimento tradicional de Itaquá. O espaço reúne um acervo reconhecido como um dos maiores do gênero no estado e demonstra como a atividade econômica local também pode se transformar em elemento de interesse turístico. No mesmo espaço funciona o Restaurante Roda D’Água, que amplia a experiência ao unir gastronomia, ambiente e contato com uma das referências da história produtiva do município.
Outro espaço que vem ganhando importância na vida cultural e turística da cidade é o Largo Monumental da Vila São Carlos. O local reúne lazer, gastronomia, convivência e programação cultural, funcionando como ponto de encontro para moradores e visitantes, ajudando a levar a experiência turística para além do centro histórico.
A expansão do perfil turístico integra grandes centros de compras e entretenimento ao roteiro, como o Itaquá Park Shopping, o Pateo Itaquá Shopping e o Outlet Premium Grande São Paulo, posicionando o município também como um importante polo comercial e de lazer do Alto Tietê.
É justamente nessa combinação entre patrimônio, natureza, compras, cultura, gastronomia, lazer e eventos que o turismo de Itaquá encontra sua característica mais particular: não existe apenas um jeito de conhecer a cidade. As festas tradicionais e manifestações culturais também funcionam como portas de entrada para essa experiência. Eventos culturais, esportivos, gastronômicos e comunitários ajudam a movimentar e aproximar moradores e visitantes.
Esse movimento ganhou dimensão própria nos últimos anos. Dezenas de iniciativas são organizadas ou apoiadas pelas secretarias de Turismo e Cultura. As ações contribuíram para fortalecer o comércio e a convivência entre os moradores. Assim, o turismo deixa de ser apenas uma atividade ligada ao visitante e passa a dialogar com quem mora na cidade, com o comércio, produtores, empreendedores e espaços culturais.
“Neste Dia Mundial do Turismo, convidamos a população para conhecer a própria cidade por novos caminhos. O turismo representa uma oportunidade de valorizar a história, a cultura, a natureza e as pessoas que ajudam a construir a identidade de Itaquá”, disse o secretário de Turismo, Douglas Freire.
Para o prefeito Eduardo Boigues, a data reforça a importância de transformar os atributos do município em desenvolvimento. “Temos patrimônio histórico, natureza, cultura, gastronomia, lazer e tradições que merecem ser conhecidos e preservados. Nosso objetivo é fortalecer o turismo como uma forma de valorizar a identidade e proporcionar experiências para moradores e visitantes.”
No fim das contas, conhecer Itaquá pode começar justamente por aquilo que parece mais próximo: uma praça na região central, uma igreja que atravessou quatro séculos, um shopping moderno, uma caminhada entre árvores, um evento cultural ou até mesmo a descoberta de que o Trópico de Capricórnio passa pela cidade. Quando o turismo é uma forma de reconhecer o próprio território, cada caminho pode revelar uma parte diferente da cidade.